Este é o elogio a minha fealdade
a sua forma de extraviada
a sua mão calosa e sua escura axila
este é o elogio a meu corpo impreciso
perambulando entre as sombras misericordiosas
da noite.
este é um canto a meu nariz quebrado, as minhas mãos de anão
a sombra nigromante da minha barba
este é um sacrifício as minhas tetas de adolescente faminta
aos meus pómulos de india mansa
aos meus lábios secos pelo embriago do vento
ao meus caninos, as minhas unhas quebradas, as minhas células,
à veia inchada da minha testa como a marca de Cain
estas são as últimas palavras duma amante desamparada
uma conversação com algum deus a quem lhe sobra tempo
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